México e 2 anos na Finlândia. Qual brasileiro que vive no exterior nunca teve que responder a célebre pergunta: Você quer voltar a viver no Brasil? Diante desse questionamento sempre fiquei na dúvida, de um lado tinha a saudade da família e do outro tinha a oportunidade de conhecer outra cultura. E daí que um dia acabei tentando voltar, e é sobre essa experiência de voltar que quero partilhar.
Quando rolou pela primeira vez o papo com o marido de voltar a viver no Brasil eu fiquei com um pé atrás, pensei muito no nosso filho e sobre todas as vantagens que ele poderia ter em crescer na Finlândia. Pensei principalmente sobre a educação, segurança e a saúde de qualidade que tínhamos gratuitamente, porém pensei que ele cresceria sem os mimos dos avós. Pode até parecer supérfluo comparar educação, segurança e saúde com “mimo” de avós, mas só quem conhece a cultura finlandesa sabe como faz falta um pouco de calor humano.
Depois de muito pós e contras, decidimos que nos arriscaríamos e voltaríamos ao Brasil. Não tínhamos muita (quase nada) coisa planejada, ficaríamos na casa dos meus pais até surgir uma boa oportunidade de emprego, para ambos, daí contrataríamos uma babá para ajudar com os cuidados com o Elias e seríamos felizes! Parecia o plano perfeito! A despedida da Finlândia foi rápida e quase sem nenhuma lágrima, apenas heippa e hei hei. E após quase 2 dias de viagem chegamos a quente e úmida Manaus. Era madrugada de segunda-feira e meus pais e irmão esperavam ansiosos por nós, mas principalmente para finalmente conhecer, abraçar, cheirar, apertar, morder e amassar o Elias! Foi um re-encontro regado de choro, abraços, beijos e muito amor! Eu respirava calor humano, podia sentir isso entrando por meus poros!


Família
As primeiras semanas foram repletas de emoções e re-encontros com amigos! Tudo era novidade, a comida, o calor, a música, o “bom-dia” do vizinho, o tempero do feijão, tudo era como se fosse a primeira vez. Era bom demais provar o “tempero” da terrinha novamente!
Mas eis que no meio da euforia, o clima nos surpreendeu. Quem conhece Manaus sabe que é uma cidade quente e úmida o ano inteiro, mas em julho/agosto do ano passado a temperatura chegou ao insuportável. Não sei se foi a temporada em terras frias que me fizeram achar tão quente ou se realmente esteve tão quente (o povo que mora por aqui reclamou também). Só sei que eu, filhote e marido sofremos um bocado com o clima e passamos praticamente esses 2 meses respirando o ar viciado do ar-condicionado. Somente depois que o período de chuva iniciou, foi que a temperatura amenizou, cheguei até a sentir saudade do inverno congelante da Finlândia.
Então os dias foram passando e a realidade brasileira, que todos conhecemos, começou a estressar. Burocracia desnecessária em bancos, trânsito caótico, saúde privada caríssima e saúde pública precária, roubo, violência, insegurança e por aí vai à lista das coisas das quais não temos a menor saudade quando estamos longe. E então a danada da saudade da Finlândia veio com tudo, da pacata cidade de Salo onde o trânsito é sempre tranquilo e educado (nunca ouvi uma buzina de carro durante os 2 anos que vivi na Finlândia), da saúde pública tão boa quanto à privada e de todas as experiência boas que vivi por lá. E inevitavelmente surgiu o questionamento, será que voltar ao Brasil foi a melhor decisão?
#pausa
Cá entre nós, a verdade é que viver longe da família e amigos é bem difícil,
mas com o tempo nos acostumamos a essa certa “privacidade” causada pela
distância, e de repente voltar ao convívio familiar requer muita paciência e
adaptação de ambas as partes, principalmente se você tem um bebê, porque
os pitacos sempre acontecem por aqui, enquanto que na Finlândia eles eram
praticamente nulos. Também tem o fato do esposo ser estrangeiro, o que
requer ainda mais cautela com tudo, afinal com culturas tão diferentes
sempre surge um pequeno choque de idéias e opiniões. Mal ou bem você se
acostuma com a indiferença do povo, com a distância ótima que eles mantem
de você e você deles, de não ter que explicar tudo para todos e etc,.
#despausa
Enfim já se passaram 5 meses desde a nossa chegada ao Brasil e agora todos os planos mudaram. De repente a canoa virou e não foi por causa de ninguém que não soube remar não, mas devido a não realização de alguns planos que fizemos antes de mudar, principalmente os planos de trabalho. No dia 24.12.2011 tomamos a decisão de voltar à Finlândia, e por conta disso meu natal teve um gostinho de despedida e saudade. Ainda não acredito que vamos voltar, talvez quando esteja desembarcando nas terras geladas da Finlândia acredite que o sonho acabou, mas até lá tenho negado essa volta.
Mas mesmo diante do triste retorno, o saldo da mudança é positivo, mesmo com as dificuldades que surgiram no trajeto. Positivo porque é bom demais ter sol durante o dia e lua durante a noite, porque posso comer a hora que quiser um tacacá maravilhoso, porque posso abraçar meus pais sempre que sentir saudade, porque posso beijar minha sobrinha a hora que quiser, porque todas as manhãs quando passeio com o Elias meus vizinhos me dão bom-dia e sorriem, porque tenho várias tias que sempre querem me ajudar a cuidar do Elias, porque posso ir toda semana à manicure e cabelereiro sem gastar uma fortuna com isso, porque posso tomar banho de rio durante os 12 meses do ano e tantos outros porquês que tenho vivido todos os dias.
E para aqueles que estão pensando em voltar deixo 2 dicas: não faça como eu fiz, vir na cara e na coragem sem nada definido(casa, trabalho, plano de saúde, etc,.) , tenha tudo muito claro e organizado antes da chegada, isso vai ajudar (e muito) sua adaptação. E, não menos importante que o planejamento, tenha paciência com a sua família, eles estão com tanta saudade de você quanto você deles. E além da saudade também estão cheios de perguntas sobre sua experiência de vida fora do Brasil, portanto tente entender e curtir esse momento.
E você, já pensou em voltar a morar no Brasil?
Beijos ILUMINADOS!
Social Widgets powered by AB-WebLog.com.
Olá Sandra, adorei o seu texto.Principalmente a sinceridade com que você aborda a questão dos altos e baixos.Eu pensei em retornar ao Brasil, mas diante de tanta instabilidade, principalmente na segurança, optamos por residir aqui, ao menos até as meninas estiverem conseguindo conviver por conta própria.
Super beijos,
Elo Iwamoto
Achei muito legal seu texto, com muita simplicidade vc mostrou a verdade e a conclusao deve ser essa mesmo, o planejamento. Eu às vezes me pego sonhando em retornar a minha cidade no Brasil mas isso nao està nos nossos planos é sò mesmo em base à saudade q penso nisso…mas olha, ja escutei muita amiga brasileira dizendo que ,se vc retornar ganhando menos de 6000 reais ao mes melhor nao retornar pois vai passar dificuldades com educaçao, saùde e moradia e tudo isso vai afetar a qualidade de vida dos nossos filhos…entao aì entra um choque porque retornar na cara e coragem e conseguir ja sair ganhando esse valor …hehe, ah se fosse fàcil assim né! E ai, ja ta chegando na Finlandia?Nao quiseram escolher um outro local para explorar ,hehe? Boa sorte na nova estrada, que Deus abençoe o novo lar!
Eu acho que é essa a exata sensação que 85% dos brasileiros que já moraram fora sentem ao voltarem ao Brasil, apesar de nunca ter pensado profundamente no assunto já que voltar a morar no Brasil com 3 kids está fora dos nossos planos por enquanto.
Boa sorte na volta e que tudo seja mais doce !
Obrigada Karine! Com certeza tudo será mais doce, apesar da saudade!!
É, planejamento sem dúvida é uma das coisas mais importantes nessas horas, tem quem arrisca e dá certo, mas é complicado, especialmente quando temos uma familia.
Tudo vai dar certo na volta à Finlandia, desejo à vocês um bom retorno, tudo de melhor e quando a saudade apertar, estaremos por aqui pra dar uma forcinha, porque a verdade é que aqui na Europa ou no Brasil, sempre vai rolar uma saudade, seja da familia que ficou pra trás ou da vidinha que levavamos.
Eu confesso que lido melhor com a saudade da familia e dos amigos do Brasil quando estou aqui, doque com o caos quando estou por lá.
Beijocas e boa viagem
Pois é, não sei o que é mais difícil a saudade ou o caos…!!!
Beijos pra você e o Pok!
Gostei muito do post. Moro em Londres há oito anos e também penso em como seria minha vida no Brasil. A decisão de voltar, assim como a de sair do país de origem, não é fácil. A mesma coisa vale para o período de adaptação, como você mesma conta. Acho que comparações são inevitáveis, mas nem sempre é um exercício muito saudável.
Bom saber da experiência de vocês e achei ótimas as dicas finais. Muita sorte nessa nova etapa da vida de vocês!
Beijos,
Cecília
Foi o q eu escrevi no texto q mandei pra cá há umas semanas… quando a gente sai de casa, do pais, não adianta, voltar já não é tão simples. Morremos de saudades, sentimos falta de muita coisa, mas parece q esquecemos dos problemas… e ai quando voltamos é um BUM na nossa cara, as brigas na família continuam, o trânsito, o medo da violência, a palhaçada e falta de respeito do governo para com a população… Enfim, não é fácil não…
San, boa sorte na mudança!!! Aposto q o irmão do Elias (q obvio eu esqueci o nome) está radiante!
Beijos!
Oi, Sandra
vim dar uma olhada por acaso neste site e achei teu comentário!
Moro há 4 anos na Croácia, sou casada com um croata e estamos pensando em ter um filho.
Achei muito sincero e real teu comentário sobre a volta ao Brasil. Acho que vcs foram muito corajosos e as vezes é necessário arriscar que ficar pensando em ficar frustrado.
Desejo uma ótima volta à Finlândia e muitas felicidades pra ti e tua família,
abraço,
Marília
Penso muito em voltar ao Brasil, mas ainda bem que meu marido é a parte racional dos dois aqui e sempre me mostra os pontos a serem analisados com cautela e comeco a acalmar os ânimos.
Mas também, lembro o quanto é difícil de adpatar-se ao convívio na casa dos pais. Quando fui visitar o Brasil depois de três anos de Finlândia(com o silêncio e privacidade citados no texto) senti bastante, me incomodava muito. Mas, tudo é um caso de paciência, penso eu.
Beijos
Luciana